FOLHETOS DA CAPITAL DO CORDEL
Gilmar de Carvalho*

 

 

 

Cliques nas capas dos folhetos e leia as principais estrofes dos mesmos

 

A produção de folhetos em Fortaleza ganhou expressivo reforço com a constituição do Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste- CECORDEL,em 1987.
Ele retomou uma tradição que teve em Moisés Matias de Moura, poeta e vendedor de folhetos no mercado central,nos anos 50,a sua mais completa produção. Nessa mesma década, o paraibano Joaquim Batista de Sena estabeleceu-se com sua Folhetaria Graças Fátima, na rua Liberato Barroso, no centro da cidade.
Impossível seria deixar de lado nomes como os de Luiz da Costa Pineiro, Siqueira de Amorim e Alberto Porfírio, que contribuiram para manter viva a idéia do cordel. Foi a partir desse contexto, que recorria à apropriação pelo formato no período autoritário, para a veiculação de poemas e da peça de teatro "O Reino da Luminura", de Oswaldo Barroso, que o CECORDEL foi constituído.
Aos nomes de Guaipuan Vieira, Otávio Menezes, Paulo de Tarso e Gerardo carvalho(Pardal) se somaram os de veteranos como José Caetano,Jotamaro e Afonso Nunes Vieira. Poetas divulgadores como Barros Alves e Vidal Santos também impulsionaram o sonho da retomada do cordel em Fortaleza.
Novas técnicas foram incorporadas, como a cópia xerox e o off-set, como o objetivo de dar agilidade à feitura dos folhetos. O que não significou a negação da tadição mantida com a linotipo ou com a xilogravura de Otávio Menezes que ilustra algumas capas. A tématica voltou-se para os segmentos urbanos e pode-se falar em ciclos como os da morte de Gonzagão,Raul Seixas e Airton Sena, sem deixar de falar nos Momonas Assasinas, como exemplos do folheto concorrendo com a notícia veiculada pela grande imprensa.
Mitos urbanos, como o da perna cabeluda,repercussão de episódios como o do padre que virou mulher e histórias de cornos se inscrevem na listagem de títulos com a chancela da instituição.
Lampião também não ficou de fora e se Guaipuan escreve sobre sua chegada ao céu, Mardonio Cruz fala de seu centenário, mostrando que o cordel está vivo em Fortaleza, apesar do abondono da banca da praça dos* Voluntários,ponto de referência da poesia popular numa cidade com preocupações de ser destino turístico.

* Professor do Curso de Comunicação Social da UFC. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo.
Fonte: Jornal o Povo-Especial para o Vida & Arte.1990