SOBRE OS LIVROS


 

  Contato: Guaipuancordel@yahoo.com.br

 

        Lendo a obra do poeta Guaipuan, logo sentimos uma característica marcante: cada verso assume o compromisso de narrar com fidelidade o cotidiano de nosso povo. Traduzindo, assim, através do cordel, as mais variadas nuances de nosso tempo: a política, a religião, o futebol, a música etc.
“Canta Cordel" é uma coletânea de trabalhos que obtiveram grande destaque na produção do autor, seja pela temática abordada, ou ainda pela grande aceitação do público. Traz, de certo modo, um enfoque dos acontecimentos que surgiram em nossa sociedade: a queda de Fernando Collor, a morte de Luiz Gonzaga, o caso mainha, o milagre da rosa mística, frei Damião... Tudo isso faz lembrar uma afirmação de Sílvio Romero, em seus Estudos Sobre a Poesia Popular no Brasil:  “(...) reconhecemos no povo a força de produzir e o direito de transformar a sua poesia e os seus contos (pág.71)”. E somente os versos de Guaipuan sabem os verdadeiros anseios, por mais contraditórios que sejam do nosso povo tão sofrido.
Obra que dispensa comentários, pois além de mostrar a destreza do autor na construção do verso, ainda contribui para engrandecer o universo da Literatura de Cordel.

 

 Glétson A. Martins
  Professor de Literatura
Fortaleza (CE), 10.10.1997

 

GUAIPUAN E A SAGA DO CORDEL

        O poeta Guaipuan Vieira com este seu Canta Cordel faz-nos lembrar os tempos de menino no Cariri, isso quando ainda não havia rádio e nem televisão e os filhos das famílias abastadas dormiam com as redes balançadas pelas empregadinhas domésticas, ouvindo o canto da gesta nordestina. Eram os chamados “romances de cantador”, os quais narravam as aventuras de príncipes e de princesas, de pavões misteriosos e de cangaceiros tremendo como aquele Rio Preto, que vivia na Bahia e terminara enforcado pela justiça do Rei. Guaipuan, pois, é continuador desta mesma saga dos poetas do povo. Ele, estamos certos, perpetuará em seus cordéis personagens como Frei Damião, o pistoleiro Mainha e o vaqueiro Guido. Isso, malgrado a modernidade do rádio e da televisão.

 

              Alberto S. Galeno
  Da Comissão Cearense de Folclore

 

O CASAL – FANTASMA E PEQUENO VOCABULÁRIO 
DA LÍNGUA TUPI
Autor: Hermes Vieira

 

 

  Falar do poeta piauiense, conterrâneo meu, Hermes Vieira, é uma tarefa bastante difícil. Tentarei dentro das minhas limitações de poeta cordelista e filósofo penetrar na alma deste poeta popular, considerado na nossa terrinha como o Patativa do Piauí. O também poeta Guaipuan Vieira, seu filho, teve a nobre atitude de resgatar este tesouro escrito por Hermes. Trata de um romance regionalista, que narra o drama de dois personagens da lenda piauiense: Cabeça-de-Cuia e Não-se-Pode. Ambos arrastados pelo destino, seguindo as mesmas trilhas do infortúnio.
Hermes Vieira, de forma impressionante, como um autodidata, usa de uma linguagem rebuscada, com um vocabulário de fazer inveja a qualquer escritor erudita. Uma  linguagem utilizada em romances, visto que, nas suas poesias, ele navega pelo vocabulário popular.
No Casal-fantasma, o romancista aborda duas lendas bastante conhecidas pelas plagas piauienses: a história do Martim Pescador, o "cabeça-de-cuia", e a "Não-se-pode". O drama da primeira história se resume no castigo recebido pelo "cabeça-de-cuia da própria mãe. Isto depois de ele irritado a matou. Foi viver como um monstro pavoroso no fundo do rio Parnaíba.
O outro personagem é a "Não-se-pode". Uma figura feminina que acendia seus cigarros nos lampiões da cidade, assombrando a todos que passavam.
O livro termina com um dicionário tupi. O leitor vai se defrontar com vocábulos originais, dos quais emanaram muitas palavras do nosso português. Hermes foi um grande estudioso da língua e dos costumes indígenas. Eis ai então, leitor amigo, um trabalho primoroso de um poeta sonhador e contador de histórias. Você certamente irá lembrar das histórias de troncoso. Boa leitura.

         

       (pardal)
   Poeta, Jornalista  e Secretario do Cecordel

 

REVISTA

 

  

 

      De repente é uma revista, nascida no Piauí, em dezembro de 1994, com o propósito de divulgar a literatura de cordel e a arte dos cordelistas para um público mais amplo. Com uma tiragem de 3.000 exemplares até 2009, a publicação só circula pelo seu estado de criação, mas já agregou ao seu conteúdo crônicas, contos, artigos históricos e científicos.

 

Quem diria a revista DeRepente
Todo mês sair uma edição?
Um veículo que faz a difusão
Da cultura autêntica dessa gente...
Conceituada, livre e independente.
Se mantendo através de assinatura
Com os que fazem nossa literatura
Escritores, poetas e repentistas,
Historiadores, cronistas, romancistas.

Este mundo é melhor com a CULTURA.
De Repente ergueu uma estrutura
Para o vate cantador de viola
Nosso cordel é lido na escola
O repente virou literatura,
O poeta que vive a arte pura
Com seus versos que tem a melodia
Genialidade com muita maestria
O improviso que vem do raciocínio
Ditadores nem um terão domínio
Dos poetas que vivem a poesia.

 

  Pedro Costa  - Editor Chefe

REVISTA DE  DIVULGAÇÃO  CULTURAL  DA  FUNDAÇÃO          NORDESTINA  DO  CORDEL  - FUNCOR
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